DEPOIS DO ESTADO-NAÇÃO

A elite “nacional” ávida para aumentar seus ganhos no país se acercou de um grupo de políticos, no mínimo suspeitos, que orquestram para impor uma série de reformas econômicas e trabalhistas, cujo discurso é a modernização e, consequentemente, o progresso. Não dá para entender claramente a mentalidade dessa elite, suas características e atributos de natureza presenteísta e egoísta, que não permitem uma leitura ampla do cenário nacional, por falta do hábito do planejamento, só pensam no que podem ganhar agora e comprometem a nação como um todo na busca dos ganhos imediatos. Falta inteligência para nossos comandantes devido à natureza entreguista que possuem.

Acreditam os “sábios” que reformas que fragilizem as relações de trabalho irão favorecer a economia do país. E não é preciso ser nenhum douto em economia para saber que quanto mais tênue forem as relações de trabalho, mais elas serão estabelecidas na esfera da informalidade. Mais pessoas darão um salto profissional buscando outras formas de sobrevivência fora da formalidade econômica.

Isso não é difícil de observar, pois nas periferias das grandes cidades a economia informal é muito disseminada e muitos trabalhadores deixam de buscar postos na formalidade devido aos baixos salários que oferecem. Terceirizando as relações de trabalho, a redução dos salários pode levar muitos trabalhadores para a informalidade, onde os ganhos serão maiores uma vez que não há a ocorrências dos tributos. O trabalho informal, sem o regime de controle de horário, entre outros, passará a ser dominante no mercado.

As consequências das chamadas medidas trabalhistas modernizantes, são evidentes, as receitas da previdência e do imposto sobre a renda cairão de forma significativa. O Estado que já acumula um forte déficit de caixa terá que buscar outras medidas para compensar a queda da arrecadação provocando elevação dos preços com consequente diminuição do consumo, que leva a diminuição novamente da receita. Esse efeito dominó provocará a falência do Estado, sua inadimplência, pois a informalidade econômica que se busca implementar na atualidade tira toda capacidade de ação do governo e a sociedade será refém de uma anomia perigosa.

O pós-Estado que a elite projeta pode não ser favorável para ela também, principalmente por estar acostumada a viver dos recursos do Estado. Quem sabe ela se torne uma verdadeira elite capitalista, no estilo norte-americano, que arrisca os próprios recursos e não os do Estado. Bom, veremos em breve o que a “sábia” está projetando para o Brasil, pois sem uma economia interna forte, não será possível uma estabilidade que qualquer natureza por aqui.

Herbert Schützer – Geopolítico, consultor sócio-político, gestor e docente universitário da graduação e pós-graduação de ciência política, história efilosofia na FAATESP ena FAD.