DIADEMA: CPI DE PORTAS ABERTAS

Quem acompanha com atenção o Brasil de hoje sabe que os políticos nunca estiveram tão desacreditados.

A crise institucional, a extensão da corrupção com a delação da Odebrecht, o escândalo na Petrobras, no Maracanã, o ex-governador do Rio de Janeiro e o ex-presidente da Câmara dos Deputados estão atrás das grades… Tudo isso tem levado o brasileiro a se distanciar da política e dos políticos. Tudo isso, perigosamente, tem criado uma sensação de que “é tudo igual” ou que “ninguém vale nada”e há muita poeira debaixo do tapete.

A cidade de Diadema, se resistir ao corporativismo, está diante de uma oportunidade ímpar: levar a fundo um processo de investigação e dar, em nome do interesse público, transparência a ele.

Mas começamos muito mal. Na última segunda-feira, a CPI que investiga contratos da Educação decidiu atuar de portas fechadas. Os jornalistas de veículos tradicionais de nossa região não puderam acompanhar o trabalho, contrariando a lógica e a premissa de transparência no poder público e principalmente afrontando a diretriz que envolve o papel precípuo do Legislativo de fiscalizar o Executivo municipal e propor leis que melhorem a cidade e denotem respeito ao cidadão.

O que está em jogo, caros leitores? Uma empresa que funcionava administrativamente no endereço de um cortiço no Jardim Inamar recebeu quase R$ 1 milhão  para reformas e reparos em escolas municipais. Um dos vereadores perguntou inclusive como uma empresa se constitui em tão pouco tempo e consegue bons contratos com a prefeitura.

O que intriga é que o eixo da discussão é esse: apurar, investigar, assegurar o amplo direito de defesa mas trazer à superfície meandros da atuação da Mendonça e Silva Construção e Reforma.

Chama a atenção que uma das preocupações da CPI como um todo foi exatamente a de barrar o trabalho da imprensa, sobretudo da imprensa local que vive o dia a dia da nossa cidade. A quem interessa essa absoluta falta de transparência? A quem interessa promover sessão fechada para discutir um assunto que é de todos? A quem interessa dar privacidade e, assim, preservar o curso de uma CPI que tem tantas respostas a dar à opinião pública?

Começamos mal, muito mal. Ao distanciar a imprensa e ao trabalhar no submundo das confidências e juras de gabinetes fechados, essa CPI vem a público mostrar que age com corporativismo e acaba por colaborar para que muita gente entenda que política é mesmo tudo igual.

É um valor do Legislativo a transparência. É uma exigência da sociedade a mesma transparência que tem faltado. Não podemos afirmar que interesses têm sido acobertados em função desse cerceamento, mas é no mínimo muito questionável a estratégia que isola o interesse público de uma discussão da qual ele é signatário e faz parte.

A sociedade precisa se mobilizar, cobrar mais e pressionar. Caso contrário, essa CPI, pelo menos por aquilo que se viu, não dirá a que veio…  O início, até agora, foi patético. Tão risível quanto aqueles que insistem que a política e os políticos são tudo igual.