ESPAÇO DO MEDO EM DIADEMA 2

Retomamos aqui o debate sobre o espaço público no município, por se entender a fundamental importância para a qualidade de vida a sua apropriação. Sendo a cidadania qualificada quando o munícipe percebe e utiliza o espaço público com propriedade e o entende como um lugar de vivência coletiva digna e sem restrições ou ameaças.

O espaço público é constituído de um conteúdo técnico, repleto de intencionalidades e formado por objetos que são ao mesmo tempo técnicos, humanos e sistêmicos. Nessa configuração territorial se materializam as relações sociais, constituindo dois sistemas: o de objetos e o de ações. Pressupostamente, a cidadania deve convergir de forma plena para a prática dessa teoria do espaço geográfico apresentada pelo geógrafo Milton Santos, contudo, não é essa a realidade no município que vem apresentando elevados índices de violência no espaço público.

Sem condições de crescer em virtude do pequeno território do município, o planejamento urbano bem orientado e integrando diferentes dimensões do ordenamento socioeconômico, produção; educação; saúde, pode-se alcançar uma qualidade de vida digna para sua população. Onde forma e conteúdo deem ao lugar os diferenciais de ação humana na região do ABCD. Desde que se possa vencer as formas pretéritas que atormentam o presente e condicionam o presente e o futuro. Dessa forma o tempo espacial (que se constitui no processo), a totalidade, que é o espaço do nosso viver, e o modo de reprodução da nossa subsistência, devem articular-se.

Para que possa dar ao munícipe a qualidade de vida almejada, não se deve esperar um “herói” que incorpore todos os anseios da sociedade e que imbuído de um mandato consiga, apesar de inúmeras forças contrárias, executar os projetos necessários a se alcançar o bem comum, objetivo primário de qualquer grupo social, como a sociedade de um município se caracteriza.

Ao contrário do que se pratica em todas as localidades do país, um aspecto cultural de uma sociedade que ainda se encontra na infância do processo social, as esperanças sociais depositadas em uma figura carismática e heroica. O que se pleiteia, se faz necessário, é o início do processo de amadurecimento da sociedade, de forma a discutir as questões municipais num elevado nível de maturidade e consciência social. Alcançando um pacto de convivência, onde o espaço do medo seja encarado de frente e sem demandas políticas e preconceituosas, sem o qual, a outra cultura que se constitui no espaço público se voltará contra os mais nobres ideais da sociedade.

O novo pacto, num estágio de maturidade, só possível entre os iguais, conterá o que vem se desenvolvendo no município, transformando o espaço do medo que atualmente caracteriza nossas ruas, num espaço de harmonia. Desejo que sempre se renova na virada dos tempos e que espera-se ser tratado com maturidade.

Herbert Schützer: Geopolítico, consultor sócio-político, gestor e docente universitário da graduação e pós-graduação de ciência política, história, Geohistória e filosofia na FAATESP e na FAD.