HÁ FUTURO POLÍTICO PARA DIADEMA

Chegamos a metade do ano de 2017 e em Diadema vivenciamos uma política cheia de alternâncias e com poucas perspectivas de se poder projetar um cenário mais claro na política da cidade, principalmente quanto ao futuro na política do eminente prefeito portador de um quantum de capital político e social historicamente acumulado.

As expressões capital político e capital social são extraído do elaborador desses termos o sociólogo Pierre Bourdieu, define como a capacidade de alguns indivíduos, mais do que outros, são capazes de agir politicamente com legitimidade e reconhecimento da sua liderança, portanto possui um crédito social que se materializa no voto, formando assim um capital político.

Ainda segundo Bourdieu, o capital social se constitui num conjunto de recursos atuais ou potenciais, que são ou podem ser aplicados nos grupos de pertencimentos para manter a união através de relações permanentes e úteis. O estabelecimento de um sistema de trocas baseado na confiança mútua é a garantia da existência de uma certa homogeneidade entre os membros do grupo.

Definimos as expressões para tentar enquadrar o prefeito de Diadema dentro dos parâmetros nas suas ações políticas nesse início de segundo mandato. E numa pequena digressão, podemos listar algumas das ações praticadas por ele que podemos vislumbrar seu projeto político, se houver um.

No início do ano, o prefeito adotou uma postura populista, ao tentar frear as mudanças propostas pelo governador do estado com relação ao transporte público, assumindo uma posição contrária à do governo e colocando em defesa daqueles que dependem desse tipo de transporte no munícipio. A postura populista procurou angariar um maior capital político.

No entanto, o capital social acabou sendo abalado, uma vez que outros prefeitos e o próprio governador se afastaram do mandatário de Diadema. Com isso suas relações sociais úteis ao bom desempenho político ficaram abaladas, reverberando, inclusive, nas relações com o legislativo municipal.

Alguns meses depois, o prefeito se envolve em discussões públicas com funcionários da prefeitura. Que motivaram uma moção de agravo do legislativo, que já não o apoiava, pelo menos a maioria já não pertence ao chefe do governo municipal. Desse fato, o seu capital político saiu comprometido e, consequentemente, seu projeto político enfraquecido e, possivelmente, ameaçado.

Com certeza o futuro político do prefeito é hoje uma incógnita, pois não possui uma linha de ação capaz de articular os diferentes interesses ao seu projeto político e, nesse sentido, seu futuro político passou a ser nebuloso, sem apoio dos seus companheiros de grupo social e vendo dissolver no imaginário popular a ideia de um líder que tem a legitimidade para conduzir a cidade e seus munícipes.

Herbert Schutzer: Geopolítico, consultor e docente de ciência política e filosofia no Centro Universitário Estácio São Paulo, Faculdade Diadema e Faculdade Alvares de Azevedo. E-mail: hschutzer@yahoo.com.br