Moreira de Acopiara relança algumas de suas histórias em novo livro

Capa do novo livro do escritor cearense, morador de Diadema

Escritor cearense, amante da cultura popular brasileira e das coisas do sertão nordestino, é um mestre do cordel e continuador da obra de Patativa de Assaré

Por Julia Onorato

Em parceria com a editora Areia Dourada, o escritor Moreira de Acopiara relança algumas de suas histórias em seu 21º livro, “Atitudes que Constroem”. Ele nasceu no interior do Ceará, num lugar muito pobre que não possuía energia elétrica ou escolas por perto. Assim, a leitura dos cordéis era o maior divertimento que as crianças letradas encontravam no seu dia-a-dia. Esse tipo de literatura era o mais procurado por ser de fácil acesso.

“Por exemplo, para comprarmos um livro precisávamos ir à uma livraria e lá não tinha livrarias, só existiam a mais de 300 km de Acopiara. E os cordéis eram vendidos nas feiras que aconteciam uma vez por semana em todas as ‘cidadezinhas’, na ponta dessas feiras sempre tinha um cordelista vendendo seu produto. Meu pai ia até a feira e sempre comprava, pelo menos, um folheto, um cordel. Desde pequeno que o cordel faz parte da minha vida. Outra coisa, o cordel é de muito fácil entendimento. Tem linguagem simples, texto curto e poucos personagens. Isso facilita o entendimento. E tem ainda a rima e a metrificação que facilitam a memorização”, diz o autor.

Moreira começou a produzir seus primeiros versos aos 14 anos e nunca mais parou. O autor que mais o influenciou foi Patativa de Assaré, grande escritor nordestino que sua mãe era admiradora. Mas Moreira diz que muitos outros também ajudaram no seu gosto pela literatura, como Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa e o poeta de um livro só, Augusto dos Anjos. Ao alcançar os 20, seu pai, já de idade avançada, vendeu a terra e todos se mudaram para a cidade.

Com o incentivo de sua mãe, que era professora,  sempre foi um amante da literatura e achava que a estante de livros era um item necessário em todas as casas. Além de ser um mestre do cordel, o escritor é responsável por ministrar palestras em escolas e universidades, coordenar oficinas em casa de detenção e escrever  livros de cunho educacional. “A literatura existe para deixar o mundo melhor, o mundo mais bonito. As pessoas que leem, que usufruem de boa leitura, que praticam a literatura, se tornam mais sábias; melhoram a capacidade de raciocínio, enriquecem o vocabulário, se tornam pessoas críticas, conscientes. Esse é o papel da literatura. E o professor tem o papel essencial de mostrar os caminhos, de indicar a leitura mais adequada para o aluno.”, afirma ele.

Numa geração muito conectada ao mundo virtual, o autor diz que para se incentivar a leitura é preciso o trabalho do encantamento. “Eu fui alfabetizado, fui educado gostando de ler porque minha mãe me fez acreditar que aquilo era uma coisa legal e muito boa. Hoje, a gente vê professores que não gostam de ler. Como ele passa isso pra criança? Dentro de algumas salas de aula que entro, escuto muitos adolescentes de oitavo ou nono ano que não gostam de ler. É o que falta hoje, o trabalho do encantamento, coisa que minha mãe fez muito comigo”, conta.