Nem guarda, nem polícia impedem os “pancadões”

Pancadão do Pombal é marcado pelas redes sociais e reúne centenas de pessoas em torno dos carros com som alto

Pancadões continuam causando transtornos nas comunidades, exemplo de um deles é o do Pombal.  Levantamento do Conseg aponta quatro pontos muito críticos e que são do conhecimento das autoridades

George Garcia

Quanto aos temas diversão saudável, acessível e vida noturna Diadema realmente oferece muito pouco, a opção para os jovens da periferia são os chamados pandadões, reunião de grandes grupos de pessoas que se reúnem em vias públicas, no entorno de veículos com sistema de som de grande potência geralmente à noite e finais de semana.

Somente o imenso incômodo que isso traz às famílias que não conseguem o direito ao descanso já seria motivo suficiente para o combate a este tipo de atividade, mas esse é o menor dos problemas já que, durante os pancadões envolvem também o comércio ilegal de bebidas alcoólicas para menores, venda e uso de entorpecentes, prostituição e a presença de menores neste cenário.

A questão é tão importante que foi alvo de debates durante a campanha eleitoral para eleição de prefeito e vereadores na cidade em 2016. A prefeitura sustenta que desde a gestão anterior tem reduzido o número de pontos viciados, aqueles onde os pancadões são rotina, mas o fato é que a questão ainda é grave e sempre tema das reuniões dos Consegs (Conselhos Municipais de Segurança).

A prefeitura sustenta que em 2013 a cidade tinha 66 pontos viciados e conseguiu reduzir para 8 no ano passado. “Porém quatro desses pontos são preocupantes: o Morro do Samba e o Pombal, no Serraria; o Torre, no Canhema e o Vermelhão, no Núcleo Habitacional 18 de agosto. “Esse tipo de evento tem que ter um lugar próprio para acontecer e seguir as mesmas regras que qualquer outro evento que acontece na cidade. Não pode ser na frente da casa dos cidadãos”, diz o presidente do Conseg, Sérgio Murilo.

Ele ainda comenta que todo evento deve passar por burocracias, possuir alvará de bombeiros, contratar equipamentos e seguranças, autorização da polícia militar e outras tantas coisas mais. “Os pancadões não possuem nada disso. Não tem ninguém que vá lá e proíba a sua realização. Os eventos começam às quintas-feiras e acabam só na segunda”, comenta.

O motorista M.S., de 29 anos, morador do conjunto Piratininga, conhecido como Pombal, é um entre centenas de moradores que sofrem todos os finais de semana com os pancadões que acontecem no local. “A gente não dorme. Aqui é um inferno, começa na quinta e vai até segunda. Como que o trabalhador descansa para poder trabalhar?”, indaga o rapaz que é casado e tem uma filha pequena.

Em nota, a prefeitura afirma ter conhecimento do ponto de pancadão da rua Piratininga, no Conjunto Habitacional Jupiter, conhecido como Pombal. “Em relação à queixa de moradores da rua Júpiter sobre o pancadão, a Guarda Civil Municipal (GCM) de Diadema esclarece que realiza todos os finais de semana a Operação Tranquilidade, nas quais guardas civis municipais e policiais militares e civis atendem as reclamações da população relacionadas à emissão de sons e ruídos por automóveis estacionados nas vias públicas. Os valores das multas variam de acordo com a gravidade da infração e vão de R$ 361,00 a R$ 3.610,00. A realização de pancadões é combatida permanentemente, de acordo com a Lei 2.135/2002, sobre poluição sonora. Em 2017, entre janeiro e dezembro, a Prefeitura de Diadema dispersou 64 pancadões. Nessas ocasiões, foram apreendidos um total de 327 motos e 240 veículos, dos quais 21 produziam som em volume muito alto”.

Segundo M.S., a atuação da Guarda e da PM não tem evitado os pancadões. “Eles vão embora e volta tudo, a gente chama de novo e eles nem vem mais”. A posição é confirmada pelo presidente do Conseg.“Quando a polícia chega, é recebida com pedradas, garrafadas e com outros objetos que são arremessados durante a operação. A falha tá no fato da polícia jogar a bomba, dispersar a multidão e ir embora. O pancadão volta a rolar em menos de vinte minutos e dura a noite toda”.

SECRETARIA

Em nota a Secretaria Estadual de Segurança Pública explica que nem sempre há intervenção para garantir a segurança dos participantes dos pancadões. “A Polícia Militar atua com planejamento para prevenir a instalação dos chamados ´pancadões´. Na área do 24º BPM/M, no último trimestre de 2017 foram realizadas 32 operações, com 1.213 pessoas abordadas e 542 veículos vistoriados, além de um procurado capturado, uma pessoa presa e dois menores apreendidos. Cabe explicar que quando os ´pancadões´ já estão instalados, a PM faz uma análise de risco e avalia se vale ou não a intervenção, com o objetivo de preservar a integridade física dos participantes e moradores do bairro”.