O PT em Diadema não reconhece suas origens!

As letras PT na linguagem das empresas de seguro, quando registrada nos sinistros, significa, (Perda Total). E o que quero dizer com isso, fazendo uma analogia da política de Diadema, mais especificamente, com o Partido dos Trabalhadores (PT). Estão direcionando o partido para perda total “PT” na tomada que o trio de vereadores escolheram para seguir.

É sabido que no auge do PT no Brasil inteiro, o PT em Diadema era forte e idolatrado na cidade e região. Governou por mais de trinta anos o município, deixou sua marca, uma marca que pra muitos petistas ainda está aflorada, a de ferrenho defensor dos fracos e oprimidos.

Quando o PT perde as eleições para Lauro Michels Sobrinho (PV), em 2012 uma forte oposição verdadeira se fez. Na época formou-se uma bancada petista de seis vereadores e eles tinham a vantagem de ficar neutros e defender o que no seu “ninho” foi criado: a defesa do pobre, movimentos sociais fortes sempre os apoiando, assim o PT era o (Partido dos Trabalhadores em defesa da Classe Social).

Mas isso acabou, o PT encolheu muito em Diadema, com apenas três vereadores eleitos, em outubro de 2016; Josa Queiroz, Ronaldo Lacerda e Orlando Vitoriano, o partido já não assume com tanta expectativa o que de fato os engrandeceria na cidade, perderam a coragem. Em vez de defender com garra quem sempre os invocaram nas horas de necessidades e nas urnas, preferiram o jogo político.

Nada contra o jogo político, mas nesse momento de renovação que busca o PT nas suas altas patentes, o PT de Diadema parece querer se tornar nas próximas eleições um PSDB que ninguém elegeu e viu seu cacique regional (Zé Augusto) amargurar a berlinda e ser tirado da presidência do partido. Mas o PT é muito maior. Mas será que os próprios petistas não acreditam mais? Talvez fosse melhor que o Josa Queiroz fosse para o PDT mesmo!

Bem mais poderosos seriam os petistas se fizessem o que lhes compete por natureza, defender a população carente, os pobres e lutar por melhorias, no grito, no gogó, nas ruas, mas só, puramente PT. Essas duas letras ainda têm força, acreditem! Essa atitude os levariam a ter algum crédito com a população que os conhecem de fato por serem fortes e guerreiros na causa dos desfavorecidos.

O PT tem uma origem popular, na contramão dos outros partidos que surgiram de acordos entre lideranças políticas. A origem popular levou o partido a nunca se compor ao lado dos velhos esquemas da política brasileira, marcando sua posição contestando os interesses de grupos contrários aos interesses da maioria. Essa postura fez crescer seu capital político e aumentar o número de militantes, constituindo-se num partido que representava o ideal das classes desfavorecidas, preteridas pela velha política que está aí de novo. Se o partido em Diadema não consegue perceber a sua história, sem dúvida estará fadado a desaparecer, pois não reconhece nem a sua origem, que lhe deu vida. A minoria não precisa ser cooptada, mas pode promover alarde, denunciando os acordos espúrios que ocorrem no legislativo e entre esse e o executivo.

Em desvantagem na Câmara, por não ter conseguido reeleger nomes conhecidos na legenda, como Zé Antonio, Lilian Cabrera e Maninho, esse último que saiu como prefeito e não conseguiu emplacar no segundo turno. Esse quadro já muito diz do enfraquecimento do partido. O PT preferiu ao invés de se engrandecer com seus ideais que ainda é latente na população pobre da cidade e militantes, decidiram fazer o jogo político achando que terá mais sucesso ou vantagem. E por mais que queiram dizer que é oposição, não é. Porque oposição o PT sabe fazer, mesmo com apenas (1) camarada!

Uma prova disso é que formado o G12, que a meu ver é G9, até mesmo os petistas sabem que a qualquer momento esse jogo pode mudar, e eles vão acabar na sarjeta, no cantinho, somente os três, Josa Queiroz, Ronaldo Lacerda e Orlando Vitoriano, quietos e apagados, sem força, se insistirem a ficar nesse jogo. E isso foi dito pelos petistas. “Nós sabemos como funciona, mas vamos aproveitar que estamos com a maioria”. O que demonstra agora, covardia!

Na minha simplória avaliação os três que hoje compõe a frente viva do PT na Câmara vieram de uma geração democrática da qual não pode desfazer por um ato falho, um equívoco. A luta deveria ser outra, trabalhar para tentar voltar a governar a cidade, como fez nos trinta anos que ficaram no poder. É esse o objetivo.

Qual é plano político hoje do PT Diadema? Qual o projeto do PT para a cidade de Diadema? Não se sabe!

Conversando com alguns militantes de longa data, para ser mais exato trinta anos ou mais, eles demonstraram não sentir uma liderança no mínimo satisfatória à frente do PT. E não esperam por um messias, mas uma pessoa que ascenda e os façam voltar à vontade de ir para o combate, para as ruas e passar noites em claras na luta por um ideal. E isso sem cargos públicos, sem cargos comissionados. Mas sim, simplesmente porque é o PT – Partido dos Trabalhadores.

E óbvio que não é a política que é má, mas sim as pessoas quem a destrói, exemplo é esse mar de corrupção que os políticos se afogaram. É também óbvio que o Partido dos Trabalhadores não tem culpa de onde parou o nome da sigla, os culpados são as pessoas que levaram para um mar de destruição a poderosa estrela.

Mas resta saber quem de fato vai fazer, mesmo que pequena, uma ação plausível para despertar as lutas que os levaram a grandes conquistas.

Pode ser você Josa Queiroz, Ronaldo Lacerda ou Orlando Vitoriano. Basta apresentar-se. Mas tem que voltar às raízes do Partido dos Trabalhadores, mesmo que seja dura a caminhada!

Elias Lubaque é jornalista e diretor do Jornal Diadema News. E-mail: jornaldiademanews@hotmail.com