Operação em Diadema e outras cidades prende quadrilha e evita R$ 25 milhões de prejuízo

A Polícia Civil deflagrou, no começo de dezembro de 2016maquina uma importante ação contra uma quadrilha responsável por invadir sistemas operacionais de grandes redes de comércio e do sistema financeiro. A polícia acredita que, com as detenções, conseguiu evitar futuros prejuízos de R$ 25 milhões.

A operação batizada de Ludificatio (enganar) prendeu oito pessoas, entre elas integrantes da cúpula do bando. A ação foi de policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que também cumpriram 14 mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo e nos municípios de Diadema, no Grande ABC, e Barueri, na Grande São Paulo.

A operação Ludificatio é resultado de 18 meses de apurações desenvolvidas pela 4ª DIG (Delegacia de Investigações sobre Crimes Cometidos por Meios Eletrônicos), do Deic. O golpe, segundo explicou o delegado José Mariano Araújo Filho, titular da 4ª DIG, foi denunciado por uma das empresas vítimas, que está entre um dos grandes atacadistas de São Paulo.

Os criminosos desenvolveram sistemas que faziam uma intrusão na rede desses estabelecimentos. A quadrilha desenvolveu equipamentos que, a partir de um simples leitor de código de barras utilizado na consulta de preços, conseguia assumir o controle dos computadores, desviar dinheiro das vendas e pulverizar esses valores em inúmeras contas próprias.

“Eles conseguiam criar caixas virtuais e, com isso, fazer desvio de transações e obter as vantagens financeiras que interessavam para a quadrilha”, explicou o delegado. O golpe antes de ser descoberto provocou prejuízos de, pelo menos, R$ 800 mil. Mas esse montante poderia ter sido ainda maior se a polícia não tivesse conseguido neutralizar os dispositivos desenvolvidos pelo bando.

“As investigações detectaram vários equipamentos instalados em diversos ramos de atividade comercial e bancária. Conseguimos antecipar as invasões. Isso permitiu evitar prejuízos que poderiam atingir algo em torno de R$ 25 milhões”, disse o delegado.

Apreensões

As prisões, buscas e apreensões foram realizadas por um efetivo de 80 policiais da DIG (Divisão de Investigações Gerais) e do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubo). Os alvos principais foram os operadores do esquema. Outro objetivo foi a apreensão do aparato tecnológico utilizado para burlar a segurança nos sistemas de informática das empresas.

A quadrilha também adulterava e criava cartões a partir de matrizes em branco, com os quais fazia compras e pagava faturas e contas. “Eles passaram a atuar em cima de equipamentos para cartões de crédito e de débito, introduzindo dispositivos que capturavam as informações”, falou o delegado.

O bando ainda criava dispositivos para a realização de apostas eletrônicas do jogo do bicho. “O jogador conseguia através desse dispositivo fazer sua aposta eletronicamente e ter o valor ali debitado do seu cartão de debito ou crédito”.