Soffner diz: “Guarda não será prejudicada com saída de Diadema do Consórcio”

O coronel da reserva da Polícia Militar e secretário de Defesa Social de Diadema, Marcel Lacerda Soffner, detalhou como será o processo de descentralização da Guarda Civil Municipal, do combate aos chamados pancadões, sobre Lei Seca, e ainda que a prefeitura de Diadema vai promover a formação dos 80 guardas civis que passaram em concurso público no Centro Regional, criado pelo Consórcio, mesmo com o prefeito tendo anunciado que vai sair do órgão regional.

George Garcia

Diadema News: Coronel quais são as novidades da Secretaria, principalmente da Guarda Civil Municipal?

Coronel Marcel Lacerda Soffner: A gente tem uma vantagem porque já comandou o batalhão na cidade, já conhece a estrutura da polícia, teve uma política de integração e de vanguarda. Essa movimentação tem que estar alinhada com o programa de governo nosso objetivo é construir o que foi avalizado no processo eleitoral, na área de segurança, que é a descentralização da guarda e o percentual aumento do efetivo, inclusive um aspecto importante, estamos com processo de concurso em andamento, temos oitenta guardas que prestaram concurso e que vão ser chamados, masno momento oportuno, porque estamos estudando e planejando.

DN: Essa descentralização como será feita? Com bases fixas ou móveis?

Coronel Soffner: A princípio vamos em busca de recursos para trazer bases móveis para a cidade. São bases móveis porque elas têm uma possibilidade de mudança e realocação quando for necessário. O conceito de base fixa tem que ter muito critério para isso, porque ela engessa, centraliza não tem uma abrangência mais operacional, a base móvel sim. Estamos trazendo alguns produtos para a cidade que é a operação Presença Integrada. Uma experiência exitosa que tivemos quando fomos comandantes do Batalhão e que a gente propôs ao governo que afiançou. Trata-se do uso da Guarda Municipal, com planejamento integrado com as polícias Civil e Militar e patrulhamento fixo e móvel dentro de oito pontos, dois em cada área dos quatro distritos policiais da cidade.

DN: A integração com as duas polícias tem funcionado?

Coronel Soffner: A relação é muito boa, com a Policia Militar e com a Polícia Civil. Temos que ver a cidade como um todo e promover a integração com todas as secretarias também. Temos uma prioridade que são os próprios públicos municipais, mas temos também que intensificar o patrulhamento na cidade, assim queremos aumentar a sensação e percepção de segurança. Isso vem com esse eixo de atuação que é a operação Presença Integrada, que ocorre 24 horas por dia, com planejamento e ações conjuntas. O que estamos fazendo é a racionalização de recursos, proporcionando uma dissipação dos recursos policiais, tanto da PM, como da Guarda e da Polícia Civil, até porque a população não vê a cor da farda, ela quer é segurança.

DN: Mas já existem bases móveis operando nesse sistema?

Coronel Soffner: A ideia é terminar de fazer o planejamento estratégico da Guarda, onde vamos inserir tudo o que queremos que seja realizado, uma delas é a aquisição das bases móveis; vamos correr atrás de dotação orçamentária para isso, vamos para Brasília se for o caso, para buscar esses recursos. Através a Secretaria Nacional de Segurança, da Secretaria Antidrogas e vamos envidar esforços, terminando o projeto e buscando recursos. Também vamos buscar recursos do Estado, se não for diretamente para a Segurança, que seja para habitação e desenvolvimento social, que proporciona maior possibilidade de reconstrução social o que reflete diretamente na redução da criminalidade.

DN: Como aumentar essa sensação de segurança, coronel?

Coronel Soffner: Tem que ter ostensividade, essa é a nossa prioridade, porque a guarda, para pertencer ao sistema de segurança tem que ter ostensividade, ou seja, ela tem que ser vista pelo cidadão. Não vai dar para passar todo dia na porta da casa de cada cidadão, isso é impossível, mas vamos aumentar sensivelmente a percepção de segurança. Temos prendido muitas pessoas em flagrante, só com o uso da operação Presença Integrada, onde os pontos (de patrulhamento) são definidos com o uso de ferramentas de inteligência, como o Infocrim e o Infoseg, com troca de informações com as polícias e uma vez por mês nos reunimos para definir quais estratégias implementar. Esse mês estivemos falando sobre as definições do Diadema Legal, que também é uma das preocupações.

DN: Coronel, já que o senhor falou no Diadema Legal, como está a fiscalização da Lei Seca? Haverá mudanças?

Coronel Soffner: Essa legislação precisa continuar. Temos que dar uma atenção muito especial a essa operação. Tem que ter um incremento (da fiscalização). A Lei Seca é um instrumento importantíssimo para a cidade. A lei já demonstrou sua eficiência. Essa discussão, se a lei vai mudar, é uma discussão que a sociedade tem que fazer. Quando controlamos a ingestão abusiva de drogas lícitas e ilícitas a possibilidade de redução dos índices criminais é extremamente favorável, como foi demonstrado ao longo dos anos. Vamos propor inovações no Diadema Legal, a forma de abordar vai ser diferente, vamos orientar para que as pessoas de bem ajam dentro da legalidade. Separar aquelas pessoas que não tem conhecimento da lei daquelas que são reincidentes.

DN: Como está a estrutura material da Guarda Civil?

Coronel Soffner: Estamos fazendo um mapeamento de efetivo, de material, de processos, de treinamento, de armamento, de coletes e tem algumas defasagens que a gente precisa priorizar. Na parte de equipamentos já estamos envidando esforços para a aquisição, sobretudo para o combate aos pancadões. São equipamentos CDC (Controle de Distúrbios Civis), escudos, capacetes, mas o objetivo é ocuparmos o espaço antes, usando o setor de inteligência e agir integrado também com a Secretaria de Cultura, através do projeto TamoJunto. A Guarda chega antes e dá as condições para a aplicação, naquele local, do projeto da prefeitura.

DN: Quantos são hoje os pontos viciados de pancadões na cidade?

Coronel Soffner: Eu diria que menos de 20. Temos uma filosofia de permanecer no local não só no fim de semana, ficamos muito mais, para evitar. O nosso recurso é finito, não dá para combater todos esses pontos de uma só vez.

DN: Em outras épocas a questão da educação estava muito presente na atuação da guarda, com, por exemplo, a campanha de desarmamento infantil, com troca de armas de brinquedo por gibis. Isso ainda acontece?

Coronel Soffner: Acontece e vai continuar. Porque esses projetos educacionais são muito bacanas, como o teatro de fantoches e o canil da guarda, que fazem muito sucesso com a garotada, além das campanhas temáticas o ano todo. Esse papel da guarda é importante, o de aproximar as crianças do policial, ou “seu Guarda”.

DN: Coronel tem aumentado muito o número de casas de prostituição, escondidas sob títulos de bares e casas de show. Qual a atuação da guarda nessa questão?

Coronel Soffner: Acabei de indeferir um pedido de uma delas, justamente dentro da operação Diadema Legal, então não tem que ter não. Durante a noite, depois das 23 horas não vão funcionar não.

DN: Coronel o senhor está colocando viaturas que estavam paradas para funcionar. Como isso está acontecendo?

Coronel Soffner: Já destinamos recursos para isso e já levantamos mais de 80% da frota que estava baixada. Estamos pondo para rodar, são oito ou dez viaturas que vamos recuperar.

DN: Essa frota é muito velha. Ela será renovada?

Coronel Soffner: Já estamos propondo a renovação de toda a frota. Temos que colocar em prática essa medida, senão este ano, o mais breve possível, porque precisa realmente. Tem que aumentar a percepção de segurança, as pessoas tem que ver a guarda, isso significa também a mudança de logotipia. O azul não vai ser abandonado, mas não precisa ser no carro todo.

DN: Como fica o trabalho da guarda com as cidades vizinhas, uma vez que o prefeito Lauro Michels (PV) anunciou seu desejo de deixar o Consórcio Intermunicipal, que tem o grupo de Segurança além de escola de formação de guardas e outras políticas públicas para a área?

Coronel Soffner: A Gente tem uma preocupação de trabalhar de forma integrada. Tenho recebido a visita de comandantes da PM de áreas vizinhas. Está agendada uma reunião do prefeito com o Coronel Faria, comandante da PM na região do ABC. Nosso propósito é cooperarmos com as polícias para reduzir a criminalidade e aumentar a sensação de segurança.

DN: Esse anuncio do prefeito pode prejudicar a sua área, uma vez que havia um trabalho conjunto, de treinamento, de se criar uma frequência unificada, enfim várias atuações regionais…

Coronel Soffner: Esse trabalho vai continuar existindo. Isso (saída do Consórcio) não atrapalha porque eu faço parte do Grupo de Trabalho do Consórcio sobre segurança e as discussões regionais continuarão existindo. Temos que trocar informações com os secretários das cidades vizinhas, temos problemas de vizinhança, na periferia de São Paulo, por exemplo. Permanentemente esse fórum de discussão acontece. Temos o Centro de Formação dos Guardas, se não vamos contribuir com o Consórcio, vamos pagar avulso. E vamos ter que formar, porque precisamos instruir os 80 guardas que passaram no concurso.